Euro Sub-21 2017: Resumo final

Europeu Sub-21 2017:  Resumo final


Tivemos na Polônia, entre 16 de Junho e 1° de Julho, a disputa do Europeu Sub-21 de 2017. A competição Sub-23 em sua fase final mostrou mais uma vez que as grandes seleções europeias não precisam se preocupar com a falta de jovens talentos, consagrando a Alemanha como sua campeã.


Alemanha: a grande campeã


A geração da Alemanha que foi à Polônia não é a mais brilhante dos últimos anos, o que não significa que seja fraca. Tanto, que foi foi campeã européia Sub-21, mesmo desfalcada por Ginter, Tah, Süle, Kimmich, Weigl, Can, Goretzka, Henrichs, Leroy Sané, Brandt e Werner, todos jogadores com idade para serem inscritos no torneio, mas que estão lesionados ou com a seleção principal na Copa das Confederações.

O time alemão que foi à Polônia era cheio de bons valores, começando por Pollersbeck, passando pelo centrocampista Dahoud, pelos talentosos Weiser, Meyer e Gnabry, e chegando no atacante Selke. Em conjunto, a Alemanha não foi a melhor seleção durante todo o torneio, mas avançou às semifinais como melhor segunda colocada da fase de grupos, passou pela Inglaterra nas semifinais nas penalidades, após empate em 2 a 2 no tempo normal, e na grande decisão, soube fazer um jogo maduro, se fazendo valer dos defeitos da Espanha, e vencendo por 1 a 0, com um gol de Weiser.

Mais um título importante, para um país que se torna referência cada vez mais no planeta bola.


Espanha: elenco galático



Se a Espanha pudesse inscrever a sua seleção Sub-21 para a disputa das eliminatórias da Copa do Mundo, muito possivelmente iria se classificar para a disputa do torneio na Rússia, e fazer uma boa campanha. Com uma reunião de talento poucas vezes vista em uma seleção de base, a Espanha teve montado pelo técnico Albert Celades, um sistema defensivo firme, e um sistema ofensivo simples, propício para ativar seus talentosos jogadores. Vários deles poderiam resolver uma partida, e várias vezes fizeram isto. Na final, no entanto, a eficiência alemã se sobressaiu.

O interior Dani Ceballos, jogador do Betis, foi eleito o craque da competição. A sua capacidade ímpar de passar e conduzir a bola o tornam um centrocampista para qualquer elenco do planeta. Ao seu lado, atuaram o interior Saúl Iniguez, que já é peça chave no elenco do Atlético de Madrid, e o volante Marcos Llorente, jogador formado em "Lá fabrica" do Real Madrid, que já se destacou como um colosso no meio-campo do Alavés, onde atuou na última temporada.

Na defesa, o lateral-direito Bellerín não é de hoje considerado um dos melhores do planeta na posição. Meré, Vallejos e Johnny ainda não tem o mesmo glamour que outras peças do elenco, enquanto o goleiro Kepa tem tudo para se firmar como um dos melhores arqueiros espanhóis. No ataque, Sandro Ramirez e Deloufeu mostraram que de eternas promessas não tem nada, enquanto Asensio foi o expoente, de um dos melhores elencos da história das competições de base.

Uma Itália que empolga



No gol da Itália neste Europeu Sub-21, tivemos Giggi Donnarumma. Um dos maiores talentos de sua geração, o goleiro se envolveu em uma polêmica não renovação com o Milan durante a competição, o que na prática não atrapalhou o seu desempenho. Na lateral-direita, Conti foi o dono posição, atuando ao lado dos zagueiros Rugani e Caldara, que mostram que a Juventus e a Azzurra não terão problemas com zagueiros por muitos anos. Juntos, o trio sempre funcionou como um instrumento de auxílio a pressão do meio-campo.

Caldara tem um entendimento muito bom com Andrea Conti, algo criado ao longo da temporada na Atalanta. O lateral-direito sempre projeta-se à frente, para receber em zonas centrais, gerando linhas de passe pelos lados, com ótimas chegadas na frente, sempre com tendências de interior. Sem a bola, é um jogador agressivo no melhor sentido, que ajuda na pressão e no combate.

Do meio para frente, com Chiesa, Gagliardini, Pellegrini e Benassi no centro do campo, mais Berardi um pouco à frente, o time também demonstra muita qualidade. Já Bernadeschi atuou por boa parte do torneio como falso 9, aumentando a agressividade à primeira linha de pressão na saída de bola do adversário. A seleção italiana só não era mais talentosa que a Espanha, justamente quem a eliminou do torneio nas semifinais.


O ótimo ciclo inglês


O primeiro semestre de 2017 foi praticamente perfeito para a base da Inglaterra. Os Three Lions já haviam conquistado o Mundial Sub-20, o Torneio de Toulon, e o vice-campeonato do Europeu Sub-17, além das classificações para a fase final do Europeu Sub-19 e o Mundial Sub-17, a ser realizado em Setembro, na Índia. Neste sentido, a boa campanha no Europeu Sub-21, último passo antes do escalão principal, foi uma bela cereja do bolo. A eliminação contra a Alemanha nas semifinais veio apenas nas penalidades, mas é possível dizer que foi positiva.

A Inglaterra tinha uma equipe inferior à alemã. O time inglês mostrou mais do que já havia sido visto com a seleção no Mundial Sub-20: poucos argumentos ofensivos, falta de circuitação de passes, ausência de triangulações, e um 4-4-2, por vezes, ultrapassado. Contudo, havia algum talento nesta equipe, menos do que havia no time que foi à Coréia do Sul. Além disto, esta equipe competia em um estágio bem mais avançado, o que por vezes escancarou que jogadores como Redmond e Chalobah ainda estão crus. O lateral-esquerdo Chilwell, e o goleiro Pickford, foram os melhores nomes do English Team na Polônia.


As seleções eliminadas na fase de grupos



No grupo A, a dona da casa Polônia, não pode contar com Zielinski e Milik, suas principais estrelas, que tiveram suas participações bloqueadas pelo Napoli, mas apresentou bons nomes, como o defensor Jaroszyński, os meias Murawski, Frankowski e Linetty, e o atacante Dawid Kownack. A Suécia, campeã de 2015, apesar da eliminação precoce, apresentou valores que podem representar importância para o processo de renovação da seleção principal, como o mediocentro Alexander Fransson, o talentoso mediapunta Kristoffer Olsson, que mostrou ótima técnica e um bom último passe, além dos atacantes Carlos Strandberg e Gustav Engvall. A Eslováquia, foi a segunda melhor segunda colocada, ou seja, a melhor seleção que ficou de fora das semifinais. O meio-campo, com grande qualidade na circulação de bola, foi o ponto de destaque do time, com Lobotka, Rusnak, Chrien, Mihalík e Bero sendo os responsáveis pela qualidade em zonas centrais do campo. Uma geração de meias que traz ilusões à ex-integrante da Tchecoslováquia. Mas, destes, se tivermos que destacar apenas um, este deve ser Jaroslav Mihalik. Partindo da extrema esquerda, ele costumava durante todo o torneio se juntar ao centro para gerar superioridade, dando sempre opções de passe entre as linhas, além de ter boa capacidade para marcar gols. Stanislav Lobotka era mais o cérebro da equipe, distribuindo sempre a bola com precisão, além de ter uma grande capacidade para dar assistências e marcar gols.


No grupo B, Portugal, apesar de vários jogadores claramente talentosos, como os zagueiros Edgar Ié, o lateral João Cancelo, os meias Rúben Neves, Renato Sanches, Bruno Fernandes, e os atacantes Bruma, Gonçalo Guedes, Iuri Medeiros e Ricardo Horta, não conseguiu passar de fase, muito por conta do regulamento, que previa a classificação de apenas a seleção líder de cada grupo, e a melhor segunda colocada. O time português produziu volume em seus três jogos, mesmo que por vezes forçado, e trabalhou bem, fosse no 4-3-1-2, contra Sérvia e Espanha, fosse no 4-3-3, contra a Macedônia. Contudo, peças, em especial Renato Sanches, renderam individualmente abaixo, a defesa falhou mais do que podia, e a eliminação veio, possivelmente antes do esperado.

Dos selecionados bálticos, a Macedônia apresentou ao Mundo o talentoso mediocentro Enis Bardhi, jogador do Ujpest, da Hungria. Ágil, gera sempre opções na base da jogada, conduz, passa e arremata bem, com as duas pernas, se tornando uma arma muito importante. A seleção responsável por eliminar a França nas eliminatórias ainda mostrou o bom mediapunta David Babunski, mas também uma defesa que pecava pelas concessões em posicional, e acabou eliminada ainda na primeira fase, apesar de movimentos interessantes em suas transições ofensivas. Já a Sérvia, não conseguiu obter um resultado tão bom quanto o desta base de equipe, campeã do mundial sub-20 de 2015. Nomes como os defensores Gajic e Veljkovic, os ótimos meio-campistas Gacinovic, Maksimovic e Grujic, o extremo Andrija Zivkovic, e o centroavante Uros Djurdjevic, não conseguiram atuar em bom nível, apesar de todo o potencial, em um time que estava sem o seu craque Milinkovic-Savic, que não foi liberado pela Lazio.

No grupo C, apenas duas seleções não avançaram para as semifinais. A República Checa, mostrou mais do talento de Patrik Schick, destaque da Sampdoria no último Campeonato italiano, e o ótimo centroavante Tomas Soucek, do Sparta Praga, que se destacou, sobretudo, pelo trabalho contra os defensores na área. Já a Dinamarca, com vários desfalques, como Christensen, Dolberg, Hojbjerg, Poulsen, Fischer e Sisto, fez uma campanha apenas discreta. Contudo, Christian Norgaard se destacou bem atuando no duplo pivote ao lado do capitão Lasse Vige Christensen, sobretudo pela maneira como conduz a bola e arma a partir da base da jogada.

Vale ressaltar, que as semifinais do Europeu Sub-21 contaram com quatro seleções de peso. Das chamadas cinco grandes seleções européias, só a França, que não participou do Europeu, tombada nas eliminatórias pela Macedônia, ficou de fora.

Seleção do Campeonato:


Goleiro


Kepa (Espanha)


O goleiro do Campeonato poderia muito bem ser o alemão  Pollersbeck, mas Kepa parece hoje mais pronto. Fez várias atuações "invisíveis", sempre bem posicionado debaixo das traves, e quando precisou, mostrou reflexos, para dar segurança ao seu time. Os gols que sofreu, eram indefensáveis, fossem os chutaços de Bruma e Bernardeschi, ou a cabeçada de Werner.


Defensores


Jeremy Toljan (Alemanha)

As arrancadas do lateral pelo flanco direito foram uma forte arma da Alemanha para gerar desequilíbrios e romper defesas. Ao todo, Toljan deu três assistências neste Europeu, sendo o maior assistente do torneio. Acima de tudo, ele sabe muito bem o momento certo de subir ao ataque, e na defesa, marca melhor perseguindo e caçando o extremo adversário, do que em posicional.

Mattia Caldara (Itália)

Provavelmente, Caldara foi o melhor defensor central do campeonato. Com três atuações de luxo contra Dinamarca, Alemanha e Espanha, ajudou a Itália no jogo aéreo, nas coberturas e até na caça, com um posicionamento perfeito. Mesmo sem ser rápido, é capaz de atuar com a linha defensiva alta ou baixa, mostrando, como dito acima, que a Azzurra e a Juventus não precisam se preocupar com zagueiro tão cedo.

Marc-Oliver Kempf (Alemanha)

Na zaga central da Alemanha, Niklas Stark era o zagueiro mais maduro, e foi a liderança da Alemanha no decorrer da competição. Já Kempf, foi espetacular e seguro no jogo aéreo, além de ser rápido para defender  com as linhas altas, e muito hábil na saída de jogo, lembrando um pouco outros recentes defensores alemães de sucesso, como Hummels e Sule.



Yannick Gerhardt (Alemanha)


Não tão espetacular quanto Toljan,  Gerhardt mostrou sempre boa consistência ao defender e atacar. Se entendeu muito bem com Gnabry pelo seu setor.



Meio-campistas


Marcos Llorente (Espanha)

O mediocentro do Real Madrid foi peça chave no funcionamento do meio-campo espanhol, defendendo muito bem os espaços entre as linhas, para permitir a Saúl e Ceballos avançar, sem se preocupar demais com possíveis perdas. Além disto, Llorente também foi fundamental na saída de bola.


Maximilian Arnold (Alemanha)

Orquestrando o jogo de sua equipe pelo centro do campo, o capitão da Alemanha misturou capacidade física e técnica, dando duas assistências no decorrer dos cinco jogos. Menção honrosa também para Max Meyer. O meio-campista do Schalke atacou sempre com perigo, entre as linhas de marcação do adversário, sendo sempre ótima opção de passe, e fazendo o time da Alemanha evoluir em campo.

Dani Ceballos (Espanha)

O meio-campista do Betis foi eleito o melhor jogador do Europeu Sub-21, com merecimento. Ceballos sempre mostrou capacidade de evoluir em campo, ajudando a sua equipe a avançar em campo, fosse com passes, dribles, ou movimentação. Gerou muito futebol, mostrando também visão de jogo e inteligência


Saúl Ñíguez (Espanha)

O hat-trick de Saul, na semifinal contra a Itália, foi mais uma mostra de que o interior do Atlético de Madrid já é um dos melhores do Mundo na posição, na atualidade. Poucos meias avançam tão bem conduzindo a bola, ou atacando o espaço, e arrematam ao gol com a precisão de Saúl.


Ataque 


Marco Asensio (Espanha)

O hat-trick de Asensio contra a Macedônia na fase de grupos, mostrou mais uma vez o potencial deste extremo, que pede cada vez mais passagem também no Real Madrid, e na seleção espanhola principal.


Federico Bernardeschi (Itália)

O atacante da Fiorentina marcou um golaço para a Azzurrini para nas semifinais, e gerou vários outros ao longo do torneio. Já é conhecido de quem acompanha o Calcio.




Imagem: Deutscher Fußball-Bund
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