Juventus: a Veccia signora


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A Juventus domina amplamente o futebol italiano, e só não é maior, por até hoje, não ter cconseguido ser o maior time italiano fora da Itália. A Vechia Signora se formou como potência ainda nos anos de 1930, época em que o futebol italiano era o mais organizado do Mundo, e o primeiro a de fato se organizar  com padrões elevados. Algo que explica o fato de a Juve ser a potência que é até hoje.

Ainda no começo dos anos de 1930, o clube bianconero ultrapassou Genoa e Bologna como potência nacional. Já havia conquistado o título italiano em 1905 e 1926, mas estava pronto para entrar para a história. Em 1930 a Juventus começou a temporada bem cotada para conquistar o título italiano pela terceira vez. A campeã da temporada anterior, a Internazionale do craque Giuseppe Meazza, também. Começava ali a grande rivalidade entre os times de Turim e Milão no Campeonato italiano. E também começava a saga vencedora da Juventus. O modelo, então semi-profissional, já contava com o investimento da família Agnelli, dona da FIAT, que se consolidava como uma das maiores empresas da Itália. O presidente do clube já era Edoardo Agnelli, filho do fundador da FIAT, Giovanni Agnelli. Aos poucos, a Juventus foi montando um timaço, com peças como o goleiro Combi, o brilhante Luisito Monti, o artilheiro Raimundo Orsi, e o oportunista Renato Cesarinni, comandados pelo técnico Carlo Carcano.

Com esta base, a Juventus conquistou o histórico pentacampeonato italiano, ficando com todas as ligas entre 1931 e 1935. O sucesso local deu a Juventus a possibilidade de jogar a Copa Mitropa, torneio predecessor da Champions League, que contava com clubes húngaros, austriacos, tchecos, italianos, e ocasionalmente iugoslavos, suíços e romenos. A Juventus nunca conseguiu conquistar está competição, mas iniciava ali a sua saga européia.

Somente a Segunda Guerra Mundial brecou o crescimento da Juventus, que voltou a crescer após a retomada da paz, conquistando o título italiano das temporadas 1949-50 e 1951-52, logo após o acidente que envolveu o rival Torino. Nos anos de 1960, mesmo batendo de frente com os grandes times de Milan e Internazionale campeões da Europa, a Juventus seguiu vencedora em casa, liderada pelo craque argentino Omar Sívori, primeiro jogador bianconero a ganhar a Bola de Ouro. Nesta mesmo época, em 1961, Giampiero Boniperti se aposentou como o maior artilheiro todos os tempos do clube, com 182 gols, só perdendo esta condição 45 anos depois, ultrapassado por Alessandro Del Piero.


Campanhas de sucesso na Europa


começou em 1958. Só que não da melhor maneira possível. Após os vice campeonatos de Fiorentina e Milan nas duas edições anteriores, muito se esperava da Juventus. Mas a Veccia Signora decepcionou, e após vencer por 3 x 1 na Itália, acabou goleada por 7 x 0 pelo Rapid Viena na Áustria.  Posteriormente, o time de Sívori ainda participaria das edições de 1960 e 1962, sendo eliminado por CSKA Sófia e Real Madrid, nas duas ocasiões, respectivamente.

Após um período de ausência na Copa dos Campeões, a Juventus só retornou ao torneio em 1968, mas pouco conseguiu fazer. A primeira glória europeia só viria na Copa da UEFA de 1976-1977. A Juve derrotou os bascos na ida, em casa por 1 x 0, e  na volta, mesmo com o placar adverso de 2 x 1, o esquadrão italiano se sagrou Campeão, graças ao saldo qualificado. Pouco antes, a Juve disputou sua primeira final de Copa dos Campeões, mas acabou sucumbindo diante do grande Ajax. O que poucos sabiam, é que a primeira Copa dos Campeões Bianconera estava se aproximando.

Com a base da seleção italiana Campeão da Copa do Mundo de 1982 (de Scirea, Rossi e Tardelli), aliada a craques como Platini e  Boniek, sob a batuta de Trapattoni, a Juve alcançou a final da Copa dos Campeões em 1983, mas acabou perdendo esta decisão para o Hamburgo. Um ano depois, a Juve conquistaria a Recopa Europeia pela primeira vez, mas o melhor ainda estava por vir. A primeira conquista da taça mais cobiçada da Europa só veio na Copa dos Campeões de 1984-1985, com uma vitória de 1 x 0 sobre o Liverpool, em jogo que ficou marcado por uma tragédia que mudou a história do futebol europeu. A Tragédia de Heysel, vitimou 39 pessoas, em sua maioria torcedores da Juventus, mortos após o desabamento de um muro do estádio.

O restante da Década de 1980 não reservou muitas alegrias para o torcedor Bianconero, com exceção ao título italiano da temporada 1984-1985. A disputa ferrenha com o Napoli de Maradona, a  Internazionale dos alemães e o Milan dos holandeses pelo Scudetto impediram o clube de participar muitas vezes da Copa dos Campeões. As mudanças só viriam em 1990, junto com a mudança para o Stadio delle Alpi, construído para a Copa do Mundo daquele ano.

A Juve conquistou a Copa da UEFA nas temporadas 1989-1990 e 1992-1993, mas um jejum no Calcio se abateu sobre o clube, até a chegada de Marcello Lippi para o comando técnico, no começo da temporada 1994-95. Logo na sua primeira temporada no comando, a Juventus ganhou seu primeiro Scudetto. Na temporada seguinte, a Juventus faria sua estréia na era UEFA Champions League, e de cara levantaria a taça, derrotando o Ajax nos pênaltis após um empate em 1 x 1 (Fabrizio Ravanelli marcou o gol da Juventus no tempo normal).

Com craques como Del Piero, Zidane, Deschamps, Ferrara e Conte, a Juventus ainda chegaria nas finais da Champions League nas temporadas 2996-1997 e 1997-1998, perdendo para Borussia Dortmund e Real Madrid, respectivamente, nestas duas ocasiões. Sem Zidane, mas ainda com Del Piero e já com Buffon e Nedved, a Juve ainda alcançou a decisão da Champions na temporada 2002-2003, mas acabou derrotada pelo Milan nas penalidades.


A queda e a reascensão


Em 2006, a Juventus acabou rebaixada no Campeonato Italiano, depois de ver seu nome envolvido no escândalo do Calcio Caos. Neste mesmo ano, chegou nas quartas de final da Champions, assim como havia feito em 2005. Retornou à Série A em 2007, e até fez duas boas campanhas, inclusive terminando no G-4 e garantindo vaga na Champions League, onde não fez campanhas de destaque. Mas, depois de duas temporadas (2009/2010 e 2010/2011), era necessários mudanças. Eleito presidente da Juventus em 2010, Andrea Agnelli foi atrás de Antonio Conte, então um jovem treinador, para o comando da equipe. Deu certo. Conte implantou um sistema baseado no 3-5-2, que ajudou a revolucionar a história recente do Calcio. Aliado à um ótimo trabalho de mercado, a parceria rendeu três títulos nacionais. Neste mesmo período, em 2011, a Juventus inaugurou o Juventus Stadium, que se tornou  o seu alçapão, e onde é praticamente imbatível.


Só em 2012 a Juventus voltou a ter uma campanha de destaque na UCL, chegando novamente nas quartas de final, mas caindo diante do forte time do Bayern de Munique. Em 2014, Conte assumiu a seleção italiana, e deixou o comando da Juve, mas com uma herança fantástica. Em 2015, já com Massimiliano Allegri no comando, a Juventus voltou a disputar uma final de UEFA Champions League, mas acabou perdendo para o Barcelona por 3 a 1 em Berlim. Neste meio tempo com Allegri, a Juve perdeu craques como Pirlo, Pogba e Tevez, contratou outros, como Dybala, Pjanic, Daniel Alves e Higuaín, e já conquistou três vezes o campeonato italiano, somando um inédito hexacampeonato, e duas vezes a Coppa Italia. Mas falta a cereja do bolo. Neste 3 de Junho de 2017, a Veccia Signora tentará o seu sonhado terceiro título  continental, que lhe dará a sua primeira tríplice coroa na história. Mais uma mostra de poder, de um clube 33 vezes campeão nacional, e que é respeitado em todo o mundo.
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