Champions League 2016-2017: Real Madrid faz história

Champions League 2016-2017: Real Madrid faz história
Imagem: Champions League/Divulgação


A Champions League 2016-2017 se encerrou no dia 3 de Junho, em Cardiff, após quase 10 meses de muita emoção, zebras, golaços, e partidas históricas. O Real Madrid se tornou o primeiro bicampeão da era moderna da competição, após golear a Juventus por 4 a 1 na grande final, dando seguimento à uma hegemonia que está longe de ter o seu final.


Uma fase de grupos dentro do protocolo



A fase de grupos da Champions League 2016-2017 transcorreu dentro das normalidades, classificando as suas principais equipes para o mata-mata, que começa em fevereiro. 

Desde o sorteio das chaves, se sabia que haviam 15 favoritos para avançar de fase, e que Bayer Leverkusen e Mônaco deveriam disputar a segunda vaga do grupo E. Para a surpresa geral, justamente nesta chave,  o favorito Tottenham acabou decepcionando, e aspirinas e monegascos aproveitaram para avançar, renegando os Spurs para a Liga Europa. 


De resto, Arsenal,  PSG, Napoli, Benfica, Barcelona, Manchester City, Bayern de Munique, Atlético de Madrid, Real Madrid, Borussia Dortmund, Leicester, Porto, Juventus e Sevilla seguiram adiante, como já era esperado. Agora, com os confrontos das Oitavas já sorteados,  aguardam a retomada da competição em fevereiro. 

Tivemos jogos bacanas, como Bayern de Munique x Atlético de Madrid, e principalmente Real Madrid x Borussia Dortmund. Nesta chave F,  espanhóis e alemães fizeram bons jogos também contra o Legia Varsóvia, em especial o triunfo aurinegro por 8 a 4. Houve também os duelos entre o Manchester City de Guardiola e o Barcelona, marcados pela intensidade e o bom futebol. 


Barcelona também fez história


Ainda nas oitavas-de-final, o Barcelona protagonizou o inesquecível milagre do Camp Nou. Após perder por  4 a 0 para o PSG no Parc des Princes, em jogo onde foi amplamente dominado, o time blaugrana chegou a abrir 3 a 0 no Camp Nou, com um gol de Suárez, un tento contra, e outro de Messi cobrando pênalti, mas viu o Paris Saint-Germain descontar, na metade do segundo tempo, com Cavani.


Aos 41 minutos do segundo tempo, a classificação parecia improvável, quando uma reação inesperada começou. Neymar marcou duas vezes, uma cobrando falta, outra cobrando pênalti, e ainda lançou para Sergi Roberto, no último instante da partida, fazer o 6 a 1, que colocou o Barcelona, pela 10° temporada consecutiva, nas quartas-de-final.

Ainda nas oitavas, o Monaco do técnico Leonardo Jardim começou a fazer história. Os monegascos eliminaram o Manchester City de Pep Guardiola, na pior participação do treinador espanhol em sua história na Champions. Os Citizens venceram por 5 a 3 no Etihad, mas levaram 3 a 1 no Louis II, e caíram fora.

Os monegascos ainda eliminaram o Borussia Dortmund nas quartas-de-final, em um confronto marcado pelo atentado ao ônibus aurinegro antes do jogo de ida na Alemanha. Felizmente, apenas o zagueiro Marc Bartra ficou ferido, e de maneira relativamente leve.

O time de Jardim caiu apenas diante da Juventus, nas semifinais. Mesmo assim, apresentou ao mundo jogadores para lá de interessantes, como os mediocentros Bakayoko e Fabinho, os extremos Bernardo Silva e Lemar, o letal delantero Mbappé, que espantou o planeta sendo apenas um adolescente na Champions, e ainda um ressuscitado Falcao García, que enfim reencontrou seu futebol após a terrível lesão que sofreu em 2014.

O Arsenal mais uma vez decepcionou e acabou amassado nas oitavas pelo Bayern de Munique, agora dirigido por Carlo Ancelotti. De maneira geral, o Bayern de Ancelotti se limitou durante toda a temporada a fazer aquilo que já fazia com Guardiola, só que de uma maneira mais burocráticas, menos brilhante. O resultado disto, foi uma campanha de Champions encerrada nas quartas, com uma eliminação diante do Real com pouco brilho.



A façanha do Leicester


Campeão inesperado da Premier League 2015-2016, o Leicester fez história também na Champions. Ainda com Claudion Ranieri no comando, os foxes avançaram em primeiro lugar em seu grupo G na Champions, dividindo chave com Porto, Club Brugge e Copenhague.

Nas oitavas-de-final, veio a grande surpresa. Ranieri foi demitido após a derrota para o Sevilla por 2 a 1 na Andaluzia. Na volta, já com Claig Shakespeare no comando, os foxes bateram os rojiblancos por 2 a 0 no King Power, e avançaram para as quartas-de-final. Nesta etapa, o Leicester acabou não sendo páreo para o Atlético de Madrid, perdendo por 1 a 0 no Calderón, e empatando em 1 a 1 na Inglaterra. A sonhada taça da Champions não veio, mas esta equipe já havia escrito a sua história, e jamais será esquecida.


Juventus: uma senhora vice-campeã



A Juventus fez uma temporada marcada pelo jogo de associação na frente, e a solidez defensiva - embora, especialmente a defesa tenha vindo a dar espaços, justamente na final da Champions.
É a sétima derrota da Juventus em uma final de Champions, a segunda em três anos. O elenco é forte e para mais uma temporada. Com vários jogadores já passados dos 30 anos, precisará de uma oxigenação em breve, precisando dar com Allegri uma resposta européia imediata - já que o mesmo parece também ter um prazo de validade no recém batizado Allianz Stadium.

Para chegar em Cardiff, a Juventus passou pela fase de grupos em primeiro lugar na chave H, à frente de Sevilla, Lyon e Dínamo Zagreb, a Juventus derrotou duas vezes o Porto nas oitavas-de-final (2 a 0 em Portugal e 1 a 0 na Itália), e posteriormente eliminou o Barcelona nas quartas, vencendo por 3 a 0 em Turim e empatando sem gols na Catalunha. Depois de vencer o Monaco no Principado na ida das semifinais por 2 a 0, a Juve, controlou os monegascos, em sua Arena, e carimbou o passaporte para mais uma final de Champions em sua história.


Real Madrid: um rei hegemônico



Zinedine Zidane deu um novo rumo a história recente do Real Madrid. O Real Madrid conquistou a sua duodécima Champions, a segunda seguida, a terceira em três anos. Com um projeto sólido, cheio de jogadores jovens, e bem construído, pode ampliar ainda mais este domínio, que já está na história.

Ao contrário da edição passada, na Champions 2016/17 não dá para dizer que o Real Madrid teve um caminho fácil. Após passar pelos fase de grupos em segundo no grupo F, atrás do Borussia Dortmund, e na frente de Legia Varsóvia e Sporting, os merengues tiveram de eliminar o Napoli nas oitavas, e passaram dificuldades. Depois de virar para vencer por 3 a 1 no Bernabéu, repetiram o placar no San Paolo, e carimbaram a classificação para as quartas-de-final, onde encararam o Bayern de Munique. Após sair perdendo e virar para vencer por 2 a 1 na Alemanha, com dois gols de Cristiano Ronaldo, na volta, no Bernabéu, o Real até perdeu por 2 a 1 no tempo normal, mas completou um triunfo por 4 a 2 na prorrogação, antes de eliminar o rival Atlético nas semifinais. 


A Grande Final


Imagem: Champions League/Divulgação

Ao contrário do que era esperado, a Juventus iniciou o jogo no 3-4-1-2 puro, sem variar para o 4-2-3-1 como vinha ocorrendo nas semifinais. O Real Madrid novamente atuou no 4-3-1-2, com Isco partindo da mediapunta para os lados, e Cristiano Ronaldo e Benzema na frente. As duas equipes adiantavam as suas linhas na tentativa de marcar pressão a saída de bola rival, impedindo que os meio-campistas tivessem espaços para criar.

A Juventus começou melhor. Com Dybala caindo bastante pelos lados, especialmente o esquerdo, o time bianconero conseguiu arrematar duas vezes com perigo nos minutos iniciais, exigindo importantes intervenções de Navas. Com Kroos e Modric bem marcados pelos homens de frente da Juventus, os merengues não conseguiam criar, e nem ativar Isco entre as linhas ou os laterais em profundidade. Mas, o Real conseguiu após os 15 minutos iniciais controlar as ações ofensivas da Juventus, cortando as linhas de passe adversárias. As melhores jogadas da Juve acabavam saindo pela esquerda, onde Alex Sandro atacava o espaço deixado por Carvajal, pouco protegido pelo meio, com Mandzukic fechando por dentro. Assim, Sergio Ramos teve que várias vezes sair de seu setor para fechar espaços, mostrando que realmente cresce na hora da decisão.


Com o tempo, Dybala foi caindo mais pelo setor direito, tentando fazer boas combinações com Daniel Alves no setor defendido por Marcelo. E foi em uma boa jogada da jóia argentina, que o Real Madrid abriu o placar. Daniel Alves acabou atrapalhando uma tentativa de drible de Dybala, gerando um contragolpe merengue. Assim o Real conseguiu ativar Cristiano Ronaldo pela direita, entre as linhas bianconeras. O português tocou para Carvajal no flanco direito, e o espanhol lhe devolveu a bola. CR7 arrematou, e a bola desviou em Bonucci, matando qualquer chance de defesa de Buffon.A Juventus não sentiu o gol, e apertou a marcação, buscando criar roubando em zonas adiantadas. E conseguiu. Após um cruzamento de Alex Sandro, Higuaín desviou, e Mandzukic, de puxeta, empatou. O primeiro tempo se encerrou empatado, e o segundo tempo teve alterações.


Allegri colocou a Juve para atuar de vez no 4-2-3-1, enquanto Zidane abriu Modric e Isco, na tentativa de abrir o campo. E deu certo. Com quatro centrocampistas, o Real Madrid teria que tentar ganhar pelo meio. Kroos, Modric e Isco criavam e Casemiro dava a proteção. Além dos mais, a nova estruturação deu ao Real a condição de executar com precisão o seu jogo posicionado, dominando o adversário pelo centro do campo, com posse. Pelos lados, as coisas também foram se complicando. Benzema caia pela esquerda com Isco e Marcelo, e Carvajal e Modric tinham o apoio de Cristiano Ronaldo pelo setor direito.

A Juventus até começou melhor a segunda etapa, mas com o passar do tempo, a partir dos 15 minutos, o Real foi quem cresceu. Com os lados do campo mais resguardados, Kroos passou a baixar ao lado de Casemiro na saída de bola, tentando ativar melhor seus companheiros nas costas de Daniel Alves e Alex Sandro, fazendo com que Barzagli e Chiellini tivessem que sair dos seus postos, dando espaços na área prontos para serem atacados. A partir daí, o Real adquiriu totalmente a posse, e fez com ela o que quis. Aos 16 minutos, após uma sobra na intermediária, Casemiro chutou de longe e viu a bola desviar em Khedira antes de matar Buffon, e entrar no canto direito da meta. Três minutos depois, Modric foi acionado pela direita, e cruzou para Cristiano Ronaldo, que atacou o espaço e se antecipou a Bonucci para marcar mais uma vez. 

Real Madrid é o campeão da Champions League 2016-2017

O jogo sem bola da Juve falhava e dava espaços, justamente na grande decisão. Higuaín acabou engolido pela atuação da zaga madridista, em especial de Ramos. Os lados do campo estavam trancados. Zidane soube corrigir os problemas de sua equipe, e deu um nó em Allegri, que não conseguiu reverter o embolo que levou. Nem mesmo a entrada de Cuadrado foi suficiente para mudar as coisas. A Juventus passou o restante do tempo correndo atrás do Real Madrid, que ditava o jogo como queria, com fluidez, sem pressa, mas com velocidade. A Juve precisava criar mas não tinha a posse, e se complicava. Dybala, o craque bianconero, sumiu entre as linhas. Do outro lado, Cristiano Ronaldo era letal e decisivo, atacando espaços de maneira fulminante, como ele se especializou em fazer. Não só ele, como Isco, Modric e Kroos, eram grandiosos.





A entrada de Lemina no lugar de Dybala, não deu efeito. Casemiro e Sergio Ramos controlavam a entrada e o interior da área, e Mandzukic e Higuaín não conseguiam jogar. A bola parada passou a ser a única opção de uma Juventus, que se complicou ainda mais com a expulsão de Cuadrado. Se já tinha a superioridade tática, física e técnica, o Real também passou a ser superior numericamente. Zidane colocou Asensio e Morata em campo, para matar o jogo de vez. E o fez. Após uma jogadaça de Marcelo na linha de fundo, o lateral brasileiro cruzou por baixo na entrada da área onde estava Asensio, que de frente para Buffon arrematou sem erro, decretando o 4 a 1 final.

Cristiano Ronaldo: um craque para a história


Imagem: Champions League/Divulgação

MVP da final da Champions League, Cristiano Ronaldo foi fundamental na reta final da temporada, ajudando o Real Madrid a conquistar La Liga e a Champions, a sua quarta na carreira. Se encaminha para receber uma quinta Bola de Ouro, embora mais uma vez tenha a concorrência de um Messi que foi o brilho de um fosco Barcelona, que com raros brilharecos, se arrastou na temporada de despedida de Luís Enrique.


Em suma, CR7 foi letal contra Bayern, Atlético e Juventus, com atuações brilhantes, dando aula de posicionamento, finalização, desmarque, e ataque no espaço. Já escreveu seu nome na história, e hoje é incontestável, embora alguns ainda venham a teimar em questionar seu futebol - como fazem com o também inquestionável Messi.


A seleção da Champions League 2016-2017:

Goleiros: Gianluigi Buffon e Jan Oblak.
Defensores: Leonardo Bonucci, Dani Carvajal, Marcelo, Sergio Ramos e Diego Godín.
Meias: Casemiro, Toni Kroos, Luka Modric, Isco, Miralem Pjanic e Tiemoué Bakayoko.
Atacantes: Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Antoine Griezmann, Kylian Mbappé e Robert Lewandowski.


Divulgação
Tecnologia do Blogger.