Lei Bosman: a lei que mudou o futebol


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Imagem: O Jogo.pt


Lei Bosman: a lei que mudou o futebol


Jean-Marc Bosman. Não, ele não foi um gênio como Messi, Cristiano Ronaldo, DiStefano, Pelé, Maradona ou Puskas, mas mudou para sempre a história do futebol. Seu legado para o esporte não foram títulos, grandes jogadas ou recordes, e sim a famosa "Lei Bosman".

No dia 15 de Dezembro de 1995, após perder anos da carreira, Bosman recebeu ganho de causa de um tribunal de Luxemburgo com relação a uma ação que movia contra o seu clube, o Liege. A decisão dava fim as renovações automáticas de contrato. A partir de então, todo jogador com contrato vencido podia assinar sem custos com um novo clube, e a condição de trabalho livre dada aos cidadãos da União Europeia passava a valer também para o futebol.

Até então, os clubes eram donos do passe do jogador, e mantinham cláusulas que permitiam renovar um contrato automaticamente de maneira unilateral. Era como se todo atleta fosse escravo do clube que defendia. Hoje, cada jogador pode ir trabalhar aonde quiser após encerrar seu vínculo com o clube que defende, como um trabalhador normal.

A Lei Bosman surgiu quase que simultaneamente à expansão da UEFA Champions League e ao nascimento da era Business do futebol europeu. Com medo dela, os clubes passaram a por cláusulas recisórias milionárias no contrato de seus atletas, e a preferir vender os mesmos ao invés de perder seus profissionais de graça. Depois da Lei, passaram a ser raros os jogadores de um clube único na carreira, os andarilhos da Bola se multiplicaram em grande quantidade e o valor das transferências disparou.

Com o aumento das negociações e a livre fronteira, o futebol passou a viver a maturidade da sua internacionalização. A Premier League é hoje o maior exemplo disto. Os clubes com mais dinheiro, são capazes de montar verdadeiros combinados internacionais. Encontrar uma equipe formada unicamente por atletas locais já não é mais regra, é exceção.

Com o surgimento dos Supertimes, a competitividade aumentou. A preparação física evoluiu, o trabalho de base entre os médios e pequenos teve de melhorar, pois quem não revela, morre. Com a ajuda das mudanças de Platini em 2010, um pequeno grupo de equipes passaria a dominar o futebol em cada país. Não é raro vermos um único clube dominando uma Liga Nacional. O domínio vai desde os pequenos BATE Borisov e Dínamo Zagreb, equipes de pátrias jovens, até os gigantes Bayern e Celtic, das tradicionais Alemanha e Escócia.

Antes da Lei Bosman, três equipes haviam conquistado a tríplice Coroa em toda a história (O Celtic em 1967, o Ajax nos anos 70 e o PSV em 1988), nenhuma delas em Ligas do Top-6 da Europa. Depois delas, cinco equipes conseguiram o feito (O Manchester United em 1999, o Barcelona em 2009 e 2015, a Internazionale em 2010 e o Bayern de Munique em 2013). Fora os que passaram perto, como o Bayern de 2010 e 2012, o Bayer de 2002 e a Juventus de 2015, ou mesmo o Porto de 2010-2011, vencedor da Liga Europa. Um fenômeno em plena evolução, que não tem prazo para cessar.

Confira abaixo uma Seleção com jogadores que saíram de graça de um Clube para o outro:


Goleiro: Edwin van der Sar (Foi do Ajax para a Juventus em 1999)
Lateral-direito: Cafu (Foi da Roma para o Milan em 2003)
Zagueiro: Christoph Metzelder (Foi do Borussia Dortmund para o Real Madrid em 2007)
Zagueiro: Sol Campbell (foi do Tottenham para o Arsenal em 2001).
Lateral-Esquerdo: Cocu (Foi do PSV Eindhoven para o Barcelona em 1998)
Meia: Luis Enrique (Foi do Real Madrid para o Barcelona em 1996).
Meia: Andrea Pirlo (Foi do Milan para a Juventus em 2011)
Meia: Michael Ballack (Foi do Bayern de Munique para o Chelsea em 2006)
Meia: Esteban Cambiasso (Foi do Real Madrid para a Internazionale em 2004)
Atacante: Gianluca Vialli (Foi da Juventus para o Chelsea em 1996)
Centroavante: Robert Lewandowski (Foi do Borussia Dortmund para o Bayern de Munique em 2014).
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