Quando o Futebol vence a Guerra: Síria sonha com a Copa do Mundo e a Olimpíada


Quando o Futebol vence a Guerra: Síria sonha com Olimpíada e a Copa do Mundo


Quando a Guerra Civil explodiu na Síria, em 2011, o futebol sírio se desmontou completamente. Com o terror instalado no país, Estádios foram abandonados, os clubes, sem dinheiro, iam parando as suas atividades, alguns jogadores fugiam do país, uns iam servir ao exército e outros se juntavam às forças rebeldes, tornando impraticável pensar em futebol em meio ao caos.


A liga nacional da Síria hoje, é disputada apenas em três cidades: Latakia, Jableh e Damasco. Territórios ainda sob o controle do governo, que mantém o campeonato com a intenção de aparentar normalidade e não dar o braço a torcer para os rebeldes do Estado Islâmico. Várias equipes, de outras localidades foram obrigadas a mudar de cidade, para jogar o torneio, onde as doze equipes formam dois grupos de seis. O grupo A tem seus sediados em Damasco, e o B, em Latakia e Jableh. Os três melhores de cada chave avançam para um playoff que decide o Campeão.


Equipes tradicionais, como o Al Ittihad e o Al Karamah (vice-campeão da Liga dos Campeões da Ásia em 2006) perderam vários atletas, e consequentemente. Situadas ao leste, em cidades como Alepo, não conseguiram sobreviver ao Estado Islâmico, que considera o futebol um esporte ocidental. No Começo do ano, o grupo virou notícia Mundial ao anunciar que mataria quem fosse pego assistindo ao Clássico Espanhol, entre Real Madrid e Barcelona.


Curiosamente, a Guerra Cívil da Síria estourou na mesma época em que o futebol do país vivia a sua melhor fase. A Seleção Sub-20 vendeu muito caro a eliminação para o Brasil no Mundial da categoria em 2005, e a Sub-17, no Mundial da categoria em 2007, avançou de fase em um grupo que ainda contava com a Espanha de Bojan e De Gea e a Argentina de Salvio, inclusive arrancando um empate dos Sul-americanos em 0x0. As águias caíram novamente apenas nas Oitavas, diante da Inglaterra de Danny Welbeck. Em 2011 a Síria voltou a disputar a Copa da Ásia, e inclusive estreou com Vitória sobre a Arabia Saudita, por pouco não chegando as quartas de final. Em 2012, o futebol Sírio chegaria ao seu ápice, com a conquista do Campeonato da Confederação de futebol da Ásia Ocidental. Neste mesmo ano, a crise com o ditador  Bashar al-Assad chegou ao ponto mais baixo, e todo o crescimento do futebol Sírio também caiu por terra.


Suspensa da Copa do Mundo do Brasil e  cheia de problemas, a Síria também passou longe da Copa da Ásia 2015. Os maus resultados a levaram ao 152º lugar no Ranking da FIFA, atrás de equipes totalmente amadoras. Contudo, se a base levou a Síria ao primeiro ápice, também seria o oásis que abriria no deserto para o renascimento.



O time Sub-23 da Síria conseguiu recentemente a Classificação para a fase final do Pré-Olimpíco asiático, que acontecerá em janeiro, no Catar. Para alcançar esta fase final, a Síria teve de passar por uma fase de grupos, onde estava na Chave, ao lado de Uzbequistão, Índia e Bangladesh. Os Sírios terminaram na liderança, com 100% de aproveitamento. O grande destaque da equipe Sub-23 da Síria é o atacante Omar Kharbin. O jogador marcou seis gols e foi o artilheiro das eliminatórias para o Pré-olimpíco asiático. E a Síria precisará muito de seus gols, jà que terá logo de cara, na primeira fase, Qatar, Irã e China. Precisará depois disto passar pelas quartas de final, e posteriormente ganhar ou as semifinais, ou a decisão do terceiro lugar em caso de derrota, para se garantir nos Jogos Olimpícos do Rio 2016. Uma tarefa dura, mas não impossível.

A seleção Sub-17 da Síria é por enquanto a que chega mais longe. A equipe eliminou o forte Uzbequistão com um contundente 5x2 pelas quartas de final do Asiático Sub-16, e se garantiu no Mundial Sub-17, que será disputado a partir de 18 de Agosto no Chile. Nem mesmo a goleada de 7x1 sofrida na semifinal contra a Coréia do Sul tirou a vaga dos Sírios, que estam ao lado da Campeã europeia França, da Campeã da Oceania a Nova Zelândia e do Paraguai. Um grupo até bastante acessível para mais uma classificação às Oitavas.

A equipe principal vem subindo bastante no Ranking da FIFA, e a Seleção principal começa com força total as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 na Rússia. O técnico Fajr Ibrahim vem fazendo um trabalho de refortalecimento fantástico com a Seleção. Nas primeiras rodadas das Eliminatórias, a equipe conseguiu uma goleada por 6x0 sobre o Afeganistão, uma vitória por 1x0 sobre Singapura, uma outra goleada de 6x0  sobre o Camboja. Apenas  na última semana, veiouma derrota para o Japão por 3x0 na última semana (Keisuke Honda, Shinji Okazaki e Takashi Usami fizeram os gols nipônicos). Vale ressaltar, que o triunfo japonês só foi consumado com três gols na segunda etapa, com muita dificuldade. Ontem, os Sírios voltaram a golear o Afeganistão (desta vez por 5x2), e retomaram a liderança do grupo E das eliminatórias. Vale lembrar também que a Síria não pode mandar seus jogos em casa, e os faz no momento em Omã, levando um prejuízo na relação com os adversários. Mesmo assim, é praticamente certo que estará na última fase de classificação, ondeficará em um dos dois grupos de cinco equipes. Terminando na liderança, ou na vice-liderança de sua chave, se classificará para a Copa do Mundo da Rússia em 2018; se ficar em terceiro, ainda terá a repescagem como opção para chegar lá.


Os jovens são a esperança da equipe principal, na intenção de fortalecer uma base que já é boa. O embaixador do futebol sírio na atualidade é o atacante Sanharib Malki. Já com 31 anos, muita gente deve se lembrar dele, especialmente de quando atuou pelo Roda, e foi vice-artilheiro da Eredivisie 2012/13, ao lado de Luuk de Jong, com 25 gols (o artilheiro daquela edição foi o centroavante Bas Dost, que hoje atua no Wolfsburg, marcando 32 gols). Atualmente, Malk defende o Kasimpasa, da Turquia. Cabe a ele liderar a garotada, ao lado do meia Abdelrazaq Al Hussain, que é o centro da criação de jogadas.


O grande destaque da Síria nas eliminatórias da Copa, contudo, é justamente um garoto. Omar Kharbin Mahmoud Al Mawas tem apenas 21 anos e é o artilheiro da equipe nas eliminatórias, com três gols e duas assistências até agora.

A grande promessa do futebol sírio, na atualidade, é Mohammed Jaddou. Grande craque do Asiático Sub-16 ano passado, ele é chamado de Cristiano Ronaldo do Oriente Médio. Teve de fugir da Síria junto com o pai para a Alemanha, onde fez testes no Bayer Leverkusen, e passou. Aguarda uma permissão da federação alemã para atuar, pois é menor de idade. Enquanto não pode jogar oficialmente, Jaddou treina em uma equipe da região onde vive. Amarga a saudade, de quem não pode retornar ao seu país, sob pena de ter de servir ao exército. Na Síria, ficaram a mãe, os irmãos menores e o sonho de defender o país na Copa do Mundo Sub-16. Ele não pode ser convocado, por ser um desertor do Exército.



Fica difícil prever até onde a Síria poderá chegar. As chances de Copa do Mundo e Olimpíadas são reais, com um precedente similar só tendo acontecido com o Iraque na década passada. A equipe persa conquistou a Copa da Ásia em 2007, jogou a Copa das Confederações em 2009 e os Jogos Olimpícos em 2004, um ano depois da ocupação americana no país. Naquela ocasião, os iraquianos estrearam derrotando simplesmente Portugal, que tinha como craque Cristiano Ronaldo.


Vale destacar que o contestado das Guerras é bem diferente. O Iraque teve a sua ascenção brecada pelo recente crescimento do Estado Islâmico no país e uma guerra civil quase tão terrível quanto a da Síria. A equipe até fez uma boa campanha na Copa da Ásia 2015, mas falta fortalecer o trabalho na base, para sonhar alto em nível Mundial. A Síria, ao contrário, começa o sucesso desde cedo, e tendo sua situação política melhorada nos próximos anos, tem tudo para brilhar muito no Esporte bretão.

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