Grandes Times: o Napoli de Maradona

  

O Campeonato Italiano, entre as duas últimas décadas do Século passado e o começo dos anos 2000, foi frutífero na produção de grandes equipes. Um destes times que entrou para a História do esporte Rei foi o Napoli da segunda metade dos anos 80, liderado por ninguém menos do que Diego Armando Maradona.

Acreditar, no entanto, que a qualidade daquele time se resumia ao Gênio argentino, é uma demonstração de falta de conhecimento sobre o Calcio daquela época. Além de Don Diego, o Napoli ainda possuía Careca, o melhor atacante do Brasileiro em atividade, também tendo sido vice-artilheiro da Copa do Mundo de 1986. Giordano, Bagni, Carnevale e Ferrara pertenciam à seleção italiana, e seriam com sobras, jogadores para qualquer equipe do Calcio na atualidade.

Mas era a qualidade do pé esquerdo de Maradona que tornava aquele time forte como realmente era. A contratação de Diego não foi nada fácil, mas valeu à pena. Quando ele chegou à Nápoles, oriundo do Barcelona, 60.000 pessoas se fizeram presentes no estádio San Paolo em sua apresentação. Não era fácil ganhar o Calcio naqueles tempos. Eram tempos de uma Juventus dominante na Champions, uma Roma arrasadora e um Verona com o seu melhor time da era moderna. Fora isto, Milan e Internazionale já começavam a  desenhar seus times Históricos. Tudo isto acabou resultando em uma demora para as conquistas chegarem ao Sul da Itália, tão contrastante com o norte. Mas elas não tardaram.

Foi na temporada 1986-87, que o Napoli alcançou enfim o seu Scudetto. Dominando o campeonato quase que do começo ao fim, o time ainda fez a dobradinha, vencendo também a Coppa Itália, ao bater na final a forte equipe da Atalanta.

A temporada 1987-88 marcou a consolidação do chamado "Milan dos Holandeses" no futebol Italiano. E a Série A foi uma verdadeira batalha entre este Milan de Ruud Gullit, Marco Van Basten e Frank Rijkaard e o Napoli de Maradona, Giordano e Careca.  Faltando poucas rodadas para o fim do certame, as duas equipes se encararam, em um jogo com cara de decisão. O Rossonero saiu vitorioso por 3 a 2, ficando com o Scudetto daquela temporada. Na Copa dos Campeões, o Napoli encarou logo na primeira etapa o Real Madrid, e os merengues acabaram levando a melhor, vencendo por 2 a 0 no Santiago Bernabeú e empatando em 1 a 1 no San Paolo, com um gol salvador de Brutagueño no fim.


Se a temporada 1987-88 não trouxe sorte ao Napoli, a 1988-89 já foi bem melhor. Com uma Internazionale arrassadora na Serie A, restou ao Napoli assegurar o vice-campeonato e brigar por algo então inédito: um título Internacional. O clube napolitano se sagrou campeão da então Copa da UEFA, arrasando gigantes pelo caminho. Se nas três  primeiras etapas PAOK (1-0, 1-1), Lokomotiv Leipzig (1-1, 2-0) e Bordeux (1-0, 0-0) caíram aos pés de Maradaona e cia., a partir das quartas de final, somente duelos memoráveis marcariam aquela campanha.  Foi já nesta etapa, que o Napoli encarou a Juventus, grande rival local. No jogo de ida, em Turim, a Veccia Signora venceu por 2 a 0. O Napoli foi heróico no San Paolo, e com gols de Maradona e Carnevale, conseguiu levar a partida para a prorrogação. No tempo extra, Renica fez o terceiro gol Partenoppei, colocando o time na semifinal, e incendiando a fanática torcida.

Outro gigante atravessaria o caminho do Napoli nas semifinais: o Bayern de Munique. Na ida, em Nápoles, o time da casa venceu por 2 a 0, gols de Careca e Carnevale. Na partida de volta, em Munique, Wohlfarth e Reuter marcaram para o Gigante da Baviera, mas dois tentos de Careca garantiram para o napoli o empate e a classificação para a decisão.




Na final, mais um time time alemão cruzou o  caminho dos partenopeis: o Stuttgart de Klinsmann e Katanec. Na ida, mais uma vez em um San Paolo transbordando torcedores e paixão, o Napoli venceu por 2 a 1, com gols de Careca e Maradona (Maurizio Gaudino fez o gol dos alemães). Na volta, um empate em 3 a 3 garantiu o título para a equipe, e eternizou de vez Maradona na História do clube.
Em 1989-90 o Napoli conquistou o seu segundo scudetto, levando a melhor em mais uma disputa praticamente direta com o Milan. O clube Partenoppei, desta vez, ficou dois pontos na frente do rossonero, chegando a derrotá-lo por 3 a 0, nesta Série A, em que Maradona anotou 16 gols.

Neste mesmo 1990, o Napoli conquistou a Supercopa, massacrando a poderosa Juventus de Roberto Baggio com uma goleada de 5 a 1. Na Liga dos Campeões, mais uma vez o Napoli não teve grande sorte, sendo eliminado ainda na segunda fase, após perder uma disputa por pênaltis pós dois empates sem gols contra o Spartak Moscou.

Nunca mais o Napoli teria um time tão forte, e chegaria a passar por muitas dificuldades. Por isto mesmo, este momento mágico resultou  na adoração da torcida partenoppei por Maradona. Na Copa de 1990, no jogo entre Itália e Argentina, o estádio San Paolo torceu pela albiceleste de Don Diego.

Nem mesmo o auge do seu vício em cocaína e o fato de ele ter sido pego em um exame antidoping em 1991 tirarão esta adoração pelo Gênio, que liderou este Esquadrão realmente inesquecível.


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