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Real Madrid x Atlético de Madrid: a história do dérbi Madrilenho



Por mais que Real Madrid e Barcelona sejam grandes rivais, não dá para negar, que os merengues também fazem um grande clássico com o Atlético de Madrid. Os duelos entre merengues e colchoneros acabam parando a capital espanhola, e nos últimos anos proporcionado partidas emocionantes, atuações marcantes, e até mesmo goleadas.

A História ao mesmo tempo que une, separa Real e Atlético de uma maneira surpreendente. Alguns relatos indicam, que os dois clubes tem suas origens em grupos de estudantes universitários ligados à Instituição "Libre de Enseñanza", um grupo Político Espanhol muito forte no Século XX. Enquanto o Real teria sido fundado por estudantes oriundos da Inglaterra em 1902, o Atlético teria tido como fundadores em 1903 estudantes de origem basca, após uma partida entre o Athletic Bilbao e o então Madrid Football Club, primeiro nome do Real Madrid. É comum ver o Real Madrid relacionado à alta classe madrilenha e a realeza, enquanto o Atlético é geralmente associado ao povo da zona sul de Madrid, que é historicamente mais pobre e de classe operária. Hoje, porém, há torcedores dos dois clubes em todas as classes sociais, e inclusive algumas organizadas do Atlético estão concentradas na zona Nobre de Madrid, em bairros como Chamberí, Salamanca e Chamartín.

Em 2002, Atlético não fazia frente ao Real de Zidane


As torcidas organizadas de Madrid, geralmente dão muita dor de cabeça à Polícia Local. A rivalidade entre os "Ultras" de ambos os clubes é muito grande, mesmo que em sua maioria, ambos sejam ligados à direita. Tanto a "Ultras Sur" formada por torcedores do  Real Madrid, quanto a "Frente Atlético", ligada aos Colchoneros, tem fortes ligações com o Nazismo e a Extrema Direita Espanhola, e contam com grandes grupos de skinheads, extremamente violentos que já transformaram várias vezes as ruas de Madrid, sobretudo nos anos 80, em campos de batalha. Se estes grupos se detestam, um ponto eles tem em comum: o ódio à torcida "Bukaneros del Rayo Vallecano", de tendência "ultraesquerdista" e ligada, logicamente ao terceiro clube de Madrid, o Rayo Vallecano.



Uma curiosidade, é que o Atlético de Madrid passou a usar o uniforme com listras verticais vermelho e branco em 1911, época em que os Colchões da Espanha tinham aspecto semelhante. Daí vem o apelido “colchonero”. Outro ponto a se considerar, é que como o Atlético de Madrid, então Athletic Club de Madrid, era uma espécie de "Filial" do Athletic Bilbao, por muito tempo ele não pode jogar a Copa do Rei, a primeira grande competição do Futebol Espanhol. Somente depois de se desvincular da matriz, é que isto foi possível.





A Relação com a direita uniu o destino dois clubes, em um dos piores momentos da história espanhola. Antes do ditador Franco assumir o comando da Espanha, o Futebol naquele país era até certo ponto dominado por Barcelona e Athletic Bilbao, até então os maiores Campeões Nacionais. Os dois clubes eram e são até hoje, fortemente ligados ao sentimento Catalão e Basco, respectivamente, e simbolizam até hoje estas duas regiões, que possuem idiomas próprios e demonstraram inúmeras vezes no decorrer da História o desejo de se separarem do Território Espanhol. Temendo investidas destas regiões, Franco se apoiou no Futebol e sua repercussão na Sociedade para ajudar no seu fortalecimento no poder. Enfraquecer Barcelona e Bilbao era um meio de diminuir o orgulho Catalão e Basco. Foram usadas várias táticas para conter o sentimento Separatista, que iam de mortes até a proibição dos usos dos idiomas locais destas Regiões.




Foi justamente sob o regime de Franco que Real e Atlético de Madrid viveram os seus melhores momentos na História até aqui. Só há um porém neste ponto: o sucesso não foi imediato, pois tanto o Real, quanto o Atlético, até tentaram oferecer resistência, mas acabaram dominados pelas leis do país e pessoas ligadas à ditadura. Durante a Guerra Civil Espanhola, o Atlético de Madrid, que se chamava Athletic Club de Madrid, foi obrigado a mudar de nome, devido as restrições ao uso do idioma Basco. O time do Ditador Franco era o Aviacion Nacional,  equipe de Zaragoza ligada à aeronáutica espanhola, e que foi inflada em forças justamente para fortalecer o Regime Ditatorial na Espanha. Após um enfraquecimento e rebaixamento à Segunda Divisão, o Atlético de Madrid teve no começo da Década de 40  a chance de voltar a Elite ocupando o lugar do Real Oviedo, que teve sua sede destruída pela Guerra Civil Espanhola. Para isto, teve de se fundir justamente ao Aviacion Nacional, time de Franco. Em 1947, com o regime Franquista já bem estabelecido, o Aviacion deixou de existir, e o Atlético de Madrid voltou a ter de volta seu nome verdadeiro e o seu escudo, como conhecemos hoje. Os melhores jogadores em idade de alistamento militar eram obrigados a jogar no Aviacion, e mesmo após a separação, o Atlético acabou os herdando. Isto tudo, somado à chegada de alguns reforços como Larbi Ben Barek, e a contratação do Técnico argentino Helenio Herrera, tornou o Atlético de Madrid bicampeão espanhol em 1949/50 e 1950/51, e o time mais forte da Espanha na Época.



Após a saída de  Helenio Herrera, o time caiu um pouco de nível, até porque Barcelona e Athletic Bilbao já haviam se restabelecido da Guerra Civil,  e a partir daí, Franco passou a se contentar com este crescimento, utilizando os clubes como distração para os povos Catalão e Basco. Com isto, eles voltaram as vitórias, mas o grande time da História do Futebol Espanhol ainda estava para surgir, ou melhor, ressurgir. Depois de anos de repreensão, em que teve que mudar seu nome para "Madrid", sem o Real, e teve seu Estádio destruído, vivendo uma grande seca de Títulos, o Real Madrid voltaria as glórias nos anos 50. Tudo graças à um nome: Santiago Bernabéu, que hoje dá nome ao estádio do clube. 



Esperto, o novo presidente do Real, mesmo sem gostar do regime franquista, procurou se mostrar simpático à ele, e assim reergueu o clube, que começou a trazer vários craques de fora do País, montando a um Esquadrão com nomes como Di Stéfano, Puskás e Gento. Sem a ditadura o travando, o Real foi se fortalecendo, e logo Franco deu um jeito de Ligar sua imagem ao clube. Ele passou a se dizer torcedor Madridista, frequentava o Santiago Bernabeú e até intimidava os rivais. Tudo para promover usa imagem junto ao povo, algo como Hitler fez na Alemanha Nazista com o Schalke 04, Salazar fez com o Benfica em Portugal, e Ditadores Sul-americanos fizeram com as seleções de Brasil e Argentina. Não foi o Real que usou Franco para obter benefícios, mas sim o contrário.




O Real Madrid se consolidou no Período Franquista como o maior clube Espanhol, ganhou seis vezes a Copa dos Campeões e inúmeras taças locais. Dali em diante, o clube nunca deixou de ser forte dentro da Espanha, ao contrário do Atlético, que neste período, mesmo após a queda de Franco, só viveu de pequenos brilhos. A grande glória Européia aconteceu em 1974, quando o time foi Vice-campeão da Taça dos Campeões, perdendo para o Bayern uma decisão que precisou de dois jogos. Neste mesmo ano, o clube foi Campeão do Mundial Interclubes, após herdar a vaga do Bayern, que abdicou de disputar o torneio. Na Espanha, a maior Glória foi em 1996, quando o time fez a dobradinha, vencendo a Copa do Rei e a Liga Espanhola na mesma temporada. O abismo entre as duas equipes se estabeleceu na virada do Milênio. 




Enquanto isto, o Real Madrid, comandado pelo seu presidente Florentino Pérez, a partir de 1998, começou a formar a Equipe dos "Galáticos", contratando craques como Zidane, Ronaldo, Figo e Beckham. O Real faturou mais três Ligas dos Campeões entre 1998 e 2002 (havia passado 32 anos sem vencer o maior torneio da Europa entre, 1966 e 1998), e viu o rival Atlético ser rebaixado para a Liga Adelante, a segunda divisão Espanhola, em 2002. Fato acontecido quase no mesmo momento em que vencia a sua nona Liga dos Campeões no Hapden Park em Glasgow, derrotando o Bayer Leverkusen com um gol mágico de Zidane.

Aragonés soube prever o futuro do amado Atlético


O Atlético passou dois anos na segunda Divisão. O Calvário da Segundona só não foi pior graças ao Técnico Luis Aragonés, ídolo como jogador e comandante nos tempos de glória , que assumiu a equipe no Inferno, e com bom aproveitamento de jogadores da base , como Fernando Torres, a devolveu o clube à elite. A partir deste momento , um abismo financeiro se criou entre as Equipes na Espanha, tendo como uma das maiores disparidades, as cotas de TV.Enquanto Real e Barcelona passaram a receber valores que variam entre € 136 milhões a € 142 milhões por ano, clubes como Atlético de Madrid e o Valência, por exemplo, passaram a ganhar um valor de cerca de € 40 milhões cada. Uma diferença de cerca de cerca de € 100 milhões, que passou a fazer diferença na hora da montagem dos times, e estabeleceu um desnível técnico entre as duas equipes Madrilenhas, que durou muitos anos.


Somente após a chegada do Técnico Diego Simeone, somada ao Patrocínio Milionário da empresa Land of Fire, do Azerbaijão, o Atlético conseguiu sair das dívidas e montar um time para competir em igualdade com Real Madrid e Barcelona. 




Simeone, um capítulo à parte na História recente do dérbi




Diego Simeone: O homem que mudou a história do Dérbi de Madri


Em 2011, a torcida do Real Madrid estendeu uma faixa nas arquibancadas do Santiago Bernabéu antes de um derby madrilenho com os dizeres: "Procura-se um rival". Naquela altura o Atlético beirava a zina de rebaixamento do Campeonato Espanhol, havia sido eliminado pelo Albacete na Copa do Rei, e não vencia o Real Madrid desde 1999. Pois se a torcida do Real queria um rival a altura na cidade, ela hoje tem. Muito graças a um homem, que  mudou a história destes confrontos: Diego Simeone.


São 19 dérbis de Madrid desde a chegada de Simeone ao Atlético. No total, temos 7 vitórias de cada time e 5 empates, um retrospecto para lá de equilibrado. Neste meio tempo, o Atlético de Simeone foi Campeão da Copa do Rei depois de 18 anos (derrotando o Real Madrid dentro do Bernabéu), Campeão da Liga Espanhola depois de 18 anos, Campeão da Supercopa da Espanha depois de 29 anos, alcançou uma Final de Liga dos Campeões depois de 40 anos, e quebrou um tabu Colchonero de 15 anos sem vitórias contra o Real Madrid, no Santiago Bernabéu. E tem mais: com a vitória do último Sábado, o Atlético se tornou a primeira equipe em toda a história da Liga BBVA a vencer por três vezes consecutivas o Real Madrid no Santiago Bernabéu.


Dizer que Simeone faz um trabalho no Atlético de Madrid, é muito pouco. O que Simeone faz é fantástico. Sim, os colchoneros tem um orçamento maior do que a maioria das equipes da Espanha e da Europa. Mas ele ainda é muito menor, não chegando nem na metade do que gastam Real Madrid e Barcelona. E mesmo assim, Cholo faz o Atlético competir em igualdade com a dupla Superpoderosa, pela quarta temporada seguida. Mais do que isto: leva o Atlético a competir com qualquer equipe da Europa, e aí se inclui Bayern, Juventus e os gigantes da Bilionária Premier League.


Desde que chegou ao Vicente Calderón, Simeone trouxe a sua filosofia. Mais vale um time com o coletivo bem estruturado, forte, que joga na base do esforço, da garra e da superação, do que um time cheio de estrelas, mas sem união e ideia de jogo.




As finais de Champions



O duelo mais emblemático entre Real e Atlético aconteceu na final da Liga dos Campeões 2013/14. E traz um sabor muito amargo para o lado vermelho e branco. O Atlético de Madrid chegou a estar vencendo por 1x0, com gol de Godín, até os 92 minutos, quando o Real empatou, com um gol de cabeça de Sergio Ramos. Com três gols na prorrogação, os merengues se sagraram campeões da Europa pela 10º vez, fazendo o Atléti amargar mais uma vez o quase.



Em 2015/16, as duas equipes voltaram a se enfrentar na decisão da Liga dos Campeões, desta vez em Milão. Mas o campeão, foi o mesmo. 
Após empate em 1x1 no tempo normal, e prosseguimento da igualdade na prorrogação, o Real Madrid venceu o rival por 5x3 nos pênaltis, e foi campeão da Europa pela 11º vez na história.



Craques Vira-casaca:





Alguns grandes jogadores vestiram a camisa dos dois clubes. O caso mais emblemático, talvez tenha sido o de Hugo Sánchez. Inicialmente, ele foi para a Espanha jogar no Atlético de Madrid, e após algumas boas temporadas, estourou em 1984-1985, quando foi artilheiro e vice-campeão da Liga Espanhola, além de conquistar a Copa do Rei. Chamou a atenção do Real Madrid, que o contratou, e com a camisa merengue, ele formou o inesquecível time Pentacampeão consecutivo da Espanha, ao lado de nomes como Butrageño, Jorge Valdano e Bernd Schuster. Este último, por sua vez, fez o caminho contrário: de ídolo e campeão no Real foi para o Atlético. Lá foi Bicampeão da Copa do Rei, sendo a segunda conquista, inesquecível: Os colchoneros foram Campeões em cima do Real Madrid, contando com um gol antológico de falta de ..... Bernd Schuster !


Dois Hermanos argentinos vira-casaca também marcaram a história de rivalidade recente dos dois clubes. Juan Eduardo Esnáider, viu o rival Atlético fazer a dobradinha e ser Campeão da Liga e da Copa Espanhola em 1995/96, quando vestia a camisa do Real Madrid.



Na temporada seguinte foi para o Atlético de Madrid, e lá, levou um pouco do seu "Azar". Já o também argentino Santiago Solari, foi Pé quente. Ele saiu do Atlético e foi para o Real, onde conquistou dois Campeonatos Espanhóis, uma Liga dos Campeões e um Mundial.

Juanfran 2012.jpg



Um jogador que atuará na Final de Sábado, também é declaradamente vira-casaca. O lateral Juanfran é torcedor declarado do Real Madrid, mas foi com a camisa do Atlético que ele venceu no Futebol.


Raúl González


O que poucos sabem, é que mesmo se dizendo hoje torcedor do Real Madrid, Raúl , o Raúl Madrid, até o momento maior artilheiro da História da Champions League e artilheiro máximo da História do Real, com 323 gols, vem de uma Família abertamente torcedora do Atlético, e chegou a atuar na base Colchonera. Ficou lá até 1992, quando o Clube resolveu cancelar o time Sub-15. Com isto, se viu quase que obrigado a ir para o rival, onde fez história.


Outros nomes defenderam as duas equipes de Madrid: o goleirão Pedro Jaro, Pablo García, José Manuel Jurado, José Antonio García, Calvo José, Antonio Reyes e  Miguel Ángel Ferrer, extremo que se destacou em meados dos anos 2000, sob a alcunha de "Mista".




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2 comentários:

  1. Baita texto !Sou fã do trabalho de vocês caras ! Parabéns !

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  2. Grande Texto ! Parabéns !

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